• Igor Mauricio Barreto

Gastronomia, Quarentena e Retomada II, o retorno

Atualizado: 22 de Dez de 2020


No meu primeiro artigo com esse título, falei:


“Tudo já mudou, e vai mudar mais ainda...

...Tenho afirmado desde o início da quarentena; a palavra da vez não é resiliência, é adaptabilidade. O que será determinante para nós, enquanto pessoas físicas ou jurídicas em nossos universos particulares, será a nossa capacidade de nos adaptar e ser mutável.”

Passamos pela provação mais desafiadora da nossa geração. Ela nos obrigou, mais do que sair da zona de conforto, mudar o eixo de nossas ações, repensar nosso participação no mundo enquanto pessoas e empresas, e ressignificar o papel que desempenhamos.

Mas passamos?

Não.

A segunda onda é uma realidade. E, repetindo o erros da primeira vez, tem gente que prefere não ver.


Quem fez o dever de casa, repensou custos, mudou a empresa, vai conseguir passar por mais essa. Mas quem foi reativo e ainda não percebeu que as mudanças são implícitas, deve ter mais uma vez muita dificuldade.

Ao que tudo indica, e seguindo os protocolos já desenvolvidos lá fora, na Europa, não teremos outro lockdown. Hoje há recursos muito mais desenvolvidos para o combate a doença, ainda que não saibamos muito sobre ela. E se você está pensando na tal “imunidade de rebanho”, repense! A reinfecção é real, portanto, quando você é infectado pelo “covidão”, não há imunidade, você pode pegar de novo. O que pode acontecer?

Além de uma evidente diminuição na atividade econômica, e de uma relação de incerteza que pode pegar de jeito o ânimo, já combalido, de uma boa parte da população economicamente ativa, deve acontecer uma situação um pouco pior que a primeira com relação aos insumos.

Atentem para um fato nos próximos parágrafos: no primeiro momento, o mundo quase todo se infectou. Durante um período de tempo, todos os territórios que passaram por isso ao mesmo tempo. E, portanto, muitos deixaram de produzir. Não tinha como; sem matéria prima, sem pessoas e sem consumidores.

Os preços dos insumos aceleraram muito na retomada.Você, que como eu é do segmento de foodservice, sabe do que estou falando. Em parte por causa da lei da oferta e procura- retomando, muita gente comprando mas a indústria não teve tempo, nem matéria prima suficiente para produzir para equilibrar essa balança- e em parte por causa da oferta e da procura da China, que, com o real desvalorizado, veio comprando tudo no Brasil, grande fornecedor de grãos, pecuária e matéria prima de alimentação.

Não há óleo. Queijo está pela hora da morte. O preço do boi gordo nunca esteve tão gordo, e ainda, menos oferta por termos perdidos players que sucumbiram a quarentena.

Aí está contido um grande problema da segunda onda.

Nem todo mundo está “covidado” ao mesmo tempo. Isso significa que a dinâmica econômica nos mercados pode aumentar ainda mais preços, deixar produtos à míngua, e desidratar a já baixa margem de lucro que o setor tem. Además, não teremos moratória, compreensão, e nem mesmo condições excepcionais como da primeira vez, dando contornos ainda mais cruéis a segunda onda. Como se preparar então?

Precisamos ter empresas mais fluídas, mais adaptáveis. Com cardápios fáceis de mudar, e custos fáceis de cortar. Isso tenho dito desde o início. Talvez tenhamos que mudar de novo. Talvez tenhamos que se readequar novamente.

E com certeza, os salões ainda não terão a força de outrora, e teremos o delivery mais e mais forte!

A segunda onda é real e presente. Resta saber como você vai lidar com isso. Sairá na frente e se antecederá ou vai esperar as circunstâncias te apontarem para onde ir?

Sobreviveremos.



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