• Igor Mauricio Barreto

A Legião das malas sem alça

Vou contar para vocês coisas dos bastidores do mundo da cozinha.

Antes da glamourização que foi feita a alguns anos da profissão, cozinheiro, garçom, gerente de restaurante, era subemprego, sem ser digno de ser mencionado para a maioria.


Desde que começou a ter exposição, veio a tona uma série de “tribos” nocivas ao bom andamento da carreira enquanto carreira.


Vieram os que procuraram ser cozinheiros, ou melhor “Chefs” para virarem famosos, postar receitas e ser feliz fazendo vídeos sem saber como funciona uma cozinha profissional.

Nada demais até aqui, mas quando estes resolveram ser os detentores do conhecimento, se dizendo saber mais do que os que alí estavam trabalhando horas a fio em cozinhas quentes para sustentar a cadeia da profissão, aí eles se tornaram males. E mais, quando resolvem postar em suas lindas redes sociais, coisas que não são feitas por eles sem crédito, ou de um forma mentirosa, exagerando para fazer papa likes, como 36 horas no forno baixo ou pinga e frita de 8 horas, ou bife de alcatra feita com mignon.


Lembrem-se, Chef é cargo e não profissão. A profissão é cozinheiro. Você é Chef quando comanda uma cozinha ou serviço.


Daí também vieram os acadêmicos arrogantes. Até aí tudo bem, os acadêmicos são fundamentais para o desenvolvimento da profissão, dos estudos, e da teoria. Estou aqui falando dos arrogantes. Os que são estudiosos e assim consideram que a teoria é maior que a prática é que geram problemas. Não se pode, em nada, deixar caminhar separado a teoria da prática. Elas devem andar de mãos dadas. Además, não se pode achar que é melhor que ninguém, cansei de aprender com meus tanqueiros. Aprendo todo dia com muita gente. Não se pode estar acima do bem e do mal.


Ainda tem os “Chefs” de internet. Aqueles que vêem os programas de televisão e se empolgam. Procuram vídeos para aprender “tudo”.

Até aí tudo ótimo. Eu tenho um sonho. Ajudar as pessoas a voltarem a ter intimidade com a comida. Aprender a cozinhar é um caminho sem volta. Reconhecer alimentos, reproduzir receitas, e fazer coisas interessantes e novas para suas famílias e saúde. Por isso, reafirmo, o trabalho dos programas de gastronomia, ídolos como exemplos para cozinhar, seja com carne, seja sem, seja do jeito que for são fundamentais. Mas assistir isso e se auto denominar Chef sem ajuda de ninguém, só produz duas coisas, vergonha alheia e prostituição do trabalho daquele que fez o caminho correto.


Por fim, sem ter fim, os fiscais do trabalho alheio.

Esses sempre existiram, sorrateiros, em nossos convívios e do pior jeito possível: muitas vezes eles existem sem saber que existem dentro de seus hospedeiros. O fiscal usa de suas “sapiência suprema” para apontar defeitos no trabalho dos outros, sempre procurando cabelo em ovo, sempre partindo do princípio que ele está certo, os outros errados.

Para eles, não se pode errar, nunca.

Sempre está lá, disposto a gastar mais energia fiscalizando, criticando e envolto na nuvem negra que provém em torno de sí, que nem percebe. Se gastasse metade dessa energia para se dedicar a sí próprio e seus projetos, não seria o medíocre que se faz ser. Eu olho e me sinto consternado com o fiscal. Numa tentativa eterna de falar mal do seu namoradx para ficar com você, eles tentam ora justificar a miséria espiritual ora justificar a falta de sucesso, com o erro milimétrico do outro.

Me deixa consternado.


Mas o pior disso tudo, é que essa legião, se procura, se visita, se aciona numa retroalimentação sombria muito maluca. Se energizam com o derrocada de outrem.

Cuidado para não se pegar sendo umas dessas criaturas acima, e se não for, não se deixe levar pela sua miséria.

Agora, é aguardar alguém fazer um filme com eles, tipo esquadrão suicida. Pena que falhará miseravelmente, provavelmente por culpa do outro estúdio, ou de outra pessoa, por causa, deles, jamais!

Desculpem o desabafo. Antes que se suscite essa possibilidade, não pensei em ninguém exatamente quando escrevi este, portanto, não se preocupe, não falei de você!

Façam auto críticas procurando essas características em sí, depois, podem me julgar.

;)

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